Uma passagem

Ontem descobri mais uma coisa no intervalo de um jogo de moedas entre 3 encarnados.

Descobri que passar do plano terreno para o plano espiritual dói, fiquei triste, muito triste por todas as pessoas que morrem, por mim e pelo motivo pelo qual essa conversa teve inicio: o que a minha mãe queria que acontece-se no dia do seu velório.
Descobri que a passagem pode fazer sofrer muito porque a pessoa pode não estar preparada, pode não acreditar e pode ter tido uma vida sem ou com pouco mérito.

É muito difícil, mesmo para aqueles que trabalham para ganhar outra consciência, fazer a passagem para o plano espiritual, segundo o que entendi tudo depende do mérito que alcanças-te neste plano e de quem tens do outro lado que te possa ajudar a fazer a passagem.

Eu não tenho medo de morrer mas não queria que isso fosse de alguma forma uma fase de sofrimento. Não gosto nada de dor, de sofrer, de tristeza. Tenho por entendimento que estou nesta vida para ser feliz e essa é a minha luta que deixou de ser egoísta e individualista e passou a ser um desejo Universal.

Causa-me muita dor e muito sofrimento ouvir nas notícias da televisão que as pessoas no Mundo Árabe lutam por pão, água, arroz.
Antigamente lutavam por causas estúpidas e materiais, como conquista de terra, mais poder, mais dinheiro, mais bens materiais mas quando as pessoas lutam por terem fome a coisa torna-se muito complicada e causa-me um certo medo saber que podemos estar em espiral descendente. É horrível isto acontecer e eu estar preocupada com as minhas férias, sinto-me egoísta e frígida tento encolher os ombros, olhar para o lado e fingir que não vejo mas não sou capaz de ficar indiferente mas… aqui parei… que posso eu fazer?
Um irmão disse-me para emitir vibrações positivas e orar, eu fiz isso e faço mas sinto-me incompleta e por mais do que ele explique eu não consigo achar que estou a fazer algo de bom porque o que Irmão disse e tem razão: Isto é egocentrismo. Quem não sabe pode achar que sou humilde mas ao pensar que não faço nada de bom estou a ser egocêntrica porque o meu ego é tão grande que quero mudar o Mundo.

Tenho de falar com a minha mãe sobre a passagem dela para o Mundo Espiritual no dia do velório, ela vai entender e vai aceitar porque me ama e respeita. Mas é chato não poder haver um catering com danças de salão. Explicaram-me que o ritual do velório está correcto porque o encarnado precisa daquele amor e de vibrações positivas para desencarnar. Mesmo com o consentimento, em vida do morto (por desconhecimento) esta situação pode ser muito constrangedora e causar sofrimento – eu não quero que a minha mãe sofra, amo-a muito e preciso que ela esteja tranquila quando eu um dia lá chegar para me dar o famoso colo e para me amparar na minha dor.


Namastê

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